Como eu consegui o meu emprego no Canadá
April 8th, 2010 | by Flávio Garcia |Como prometi, vou contar como eu consegui o meu emprego atual no Canadá. Essa experiência não é muito comum, mas pode ser útil de alguma forma para outros imigrantes.
Em 2004 comecei a desenvolver um framework de desenvolvimento open source chamado iFlux. É um trabalho voluntário e não ganho nada diretamente em função desta atividade, mas me abriu bastantes portas, principalmente no aspecto profissional. Um dos componentes dessa ferramenta era outro framework chamado fusebox. Depois de alguns problemas com a equipe de desenvolvimento deles, decidi desenvolver um componente novo, e assim surgia o myFuses.
Até então nada de Canadá, um papo chato, framework pra lá, fusebox pra cá, calma gente, paciência…
Muitos dos meus colegas de trabalho viviam me questionando “Por que você continua fazendo isso?” ou “Você não ganha nada com isso?”, na verdade, o questinamento real da maioria era “Por que você está trabalhando de graça seu trouxa?”.
Os motivos reais pelos quais eu gasto tanto tempo livre desenvolvendo produtos open source são:
1. Gosto da filosofia e uso preferencialmente produtos open source;
2. Aprendo muito mais, além de possuir experiência de manter, gerenciar e suportar um produto próprio;
3. Meu salário aumentou 62%, simplesmente pessoas com mestrado ou pós-graduação perdem a preferência em relação ao perfil profissional em que me encaixo;
4. Me divirto fazendo isso, é um hobby.
Parte desse trabalho é checar minhas listas de discussão e as listas originais de usuários do Fusebox. Durante um sábado desses de janeiro, abri um email de um cara de Vancouver pedindo ajuda com relação a alugns problemas que ele tinha em uma grande aplicação Fusebox de sua empresa. Respondi o email e passei de 1 a 2 horas tentando manter contato telefônico com ele, e finalmente um senhor atende e começa a conversar comigo.
Papo vai, papo vem, o inglês bastante enferrujado, quando menos esperava, o senhor estava fazendo uma entrevista de emprego comigo. Ficamos mais de 6 horas conversando no primeiro dia e combinamos de trabalhar de 4 a 6 horas por dia.
Passei dois meses trabalhando no meu emprego regular (aqui do Brasil) e nesta nova empresa, ou seja, turnos da manhã da noite e de madrugada. E em fevereiro o meu chefe canadense me perguntou se eu não queria trabalhar full time com ele. Decidi arriscar… Pedi demissão e estou atualmente trabalhando, em casa. Posso quebrar a cara? Posso, mas como já falei, decidi arriscar.
Este trabalho é como um sonho, estou trabalhando em casa, com a ferramenta que desenvolvo, sem trânsito, sem acordar 7 horas da manhã, ganhando uma experiência de trabalho canadense (ou seja mesmo se tudo der errado, tenho uma referência de lá para utilizar em futuras entrevistas), falo inglês no mínimo 4 horas por dia, e ainda posso dar um rolézim na rua com o cachorro.
Mas tem um grande problema: sou uma pessoa extremamente desorganizada (pessoalmente). Um trabalho regular te força a ser organizado (profissionalemente), mas trabalhar em casa pode se tornar um caos, porque no final das contas, é necessário fazer 8 horas por dia e criar uma rotina, coisa que estou me esforçando para fazer. No começo tudo parece bagunça, dorme-se e acorda-se na hora que quiser, depois dá-se um rolézim na rua com o cachorro, no final do dia só trabalhou-se 4 horas e o malandrão tem que passar a madrugada trabalhando para fazer as 8 horas necessárias.
Sabe o que eu descobri? Como esse negócio de trabalhar em casa é um desafio, tem que criar uma rotina (ex: das 9 às 18h ninguém fala comigo, com uma hora de almoço) e seguir à risca, senão no final do mês a grana não entra, já que o emprego é por hora.
Acho que esse post tá esgotado, postarei mais detalhes sobre o meu chefe, sobre o trabalho, sobre o maluco que trabalha na parte de vendas em outras oportunidades.
À bientôt.





